Alice in Borderland: Me Dê Motivo

As vezes a gente fica pensando que encontrou tudo o que a vida poderia oferecer.


Você nasce, cresce e morre. Passa boa parte de sua juventude enfurnado em um prédio que parece lutar contra a sua própria identidade, na intenção de angariar os conhecimentos necessários para a obtenção de um emprego. No emprego, seja este aquele que você desejava ou não, dedica a maior parte do seu tempo, esforço e saúde, e na imensa maioria dos dias não sente que esse esforço é devidamente recompensado.

A vida é muito fragmentada. Até indiretamente, quando não está focado no trabalho, precisa cuidar da mão de obra (você), e das responsabilidades atreladas à ela (família, amigos, etc.). Nas horas vagas, você busca alguma diversão ou descansa. Abre a internet para se distrair, e a sujeira da sociedade é catapultada na sua cara.

Essa experiência pela qual passamos não é fácil. Pra inúmeras pessoas, ela nem vale a pena. Muitas desistem no meio do caminho, outras só se deixam levar, a espera de que algo aconteça e os ofereça o que há de mais especial: um motivo.

Alice in Borderland traz um pano de fundo muito criativo e empolgante, para, por meio de todo esse contexto macabro e misterioso, falar sobre aquilo que mantém a vida viva: motivo. O motivo que te faz levantar da cama todos os dias, o motivo para você viver, seguir, e até mudar sua vida. A alimentação é o combustível do corpo humano, mas a motivação é o combustível da alma.

Ter um motivo pra seguir de pé é tão importante quanto ter um copo de água em sua mão. Ter um motivo para se viver a vida não é a mesma coisa que se ter um objetivo. Objetivos são cumpridos, pontos de chegada. Os motivos são a própria pista de corrida. Todos os personagens da série acabam presos nessa mesma discussão, com cada um percebendo isso, refletindo sobre os seus motivos, e aceitando a vida como ela é em seu determinado tempo, da sua própria maneira.

A vida de Arisu possuía um sentido único para ele, mas era vista como um desperdício, uma inutilidade pela sua família. A jornada de Alice in Borderland é igual para todos, mas ninguém a enxerga da mesma maneira. Os motivos para se viver são parecidos, mas nem todos têm a permissão da vida para partilhar. O motivo de viver é a própria vida.

Nem por isso ela vai te tratar bem. Ela irá te exaurir, trair, manipular, testar. A vida é um jogo extremamente cansativo e dificultoso, e o maior prazer dela é te derrotar. E ela vai te derrotar várias vezes durante sua passagem. E esse jogo é o motivo. Jogar o jogo é o especial, e as vitórias que obtemos são extremamente saborosas. Ela não é rancorosa, mas sempre volta com um novo desafio, geralmente pior. Mas, tudo o que ela quer é que você fique jogando, porque sem o jogador, não há vida.

A vida é um jogo que todos jogamos juntos, tente aproveitar.

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