Tudo que joguei em 2024

Nesta postagem juntei todos os jogos que terminei pela primeira vez em 2024. Não vou considerar nenhum jogo de esporte, nenhum jogo que eu já tenha zerado como Walking Dead que joguei pela 1904923ª vez, ou jogos que eu tenha dropado por qualquer motivo que seja, como Uncharted 2 ou Mad Max. A lista está em ordem crescente de gosto. Do que menos gostei ao que mais gostei.

Pontuando que, se o jogo tá aqui, 96% dos casos eu gostei de jogá-lo, porque se não, teria desistido e ido procurar outra coisa melhor para gastar o meu tempo.

Uncharted: Drake's Fortune - O intragável passar do tempo

A nova trilogia de Tomb Raider é muito inspirada em Uncharted. The Last of Us é produzido na mesma engine, pela mesma equipe de Uncharted. E mesmo assim, é tão intragável... O tempo... É o tempo. Jogo de 2007, fui jogar com 17 anos de atraso, já adulto ranzinza, mas não dá cara. Uma experiência vazia, feia, sem graça. Um jogo de aventura que é praticamente um Gears of War com escalada.

Os cenários são feios, o Nathan Drake é um insuportável. É andar pra frente, atirar, usar o sistema de cover estranho pra não morrer, escalar, e repetir. A única parte que senti algum prazer de jogar no jogo foi lá pro fim, quando finalmente apresentaram um novo tipo de inimigo. Mas aí vem o fim, e a boss fight final é ridícula. Dizem que o filme é ruim e uma péssima adaptação. Se ele é ruim, talvez eu não concorde dele ser tão má adaptação assim.

Uncharted foi o único jogo que eu genuinamente fiquei incomodado de jogar, de não gostar do que estava fazendo, e mesmo assim me forcei a terminar. Não é o único jogo ruim da lista, definitivamente é o pior. Talvez não o pior que joguei, mas o pior que terminei sem dúvidas.

Call of Cthulhu - Que saudade do PlayStation 2

Jogo de terror que não dá medo tem muitos. RPG superficial tem muitos. Tecnicamente, esse jogo deve ser pior que o Uncharted. Ele veio 11 anos depois, e tem gráficos inferiores. Uma experiência bizarra. Dá a impressão diversas vezes que por falta de orçamento, talento, ou tempo, resumiram muitas sessões do jogo. É tudo muito simplificado e raso, desde o stealth, as boss fights e os próprios desencadeamentos dos diálogos.

Porém, é uma obra do universo de Cthulhu, e a exploração dessa propriedade intelectual ganha muitos pontos comigo. E alguns capítulos são realmente interessantes. Pena que quase toda imersão se perde assim que o jogo aponta a câmera para a cara do protagonista. Que modelo bizarro, e que decisão estranha de demonstrar que ele está maluco com o cabelo fazendo uma franja ensebada.

After Us - Quando o mundo acabar, ainda vai restar o parkour

O Only Up do bem com essa porrada de checkpoints pra te impedir de desinstalá-lo. Uma história bem simples pra te manter pulando. E bora, temos mais montanhas pra subir. Não faço ideia do porque instalei e fui atrás desse jogo, e sei lá. Tem momentos muito bons, puzzles divertidos, principalmente nesse tema da locomoção, do como seguir avançando. Na dúvida, olhe pra cima.

E é engraçado o quão gostoso era literalmente olhar pra cima e descobrir o que era pra se fazer. Fora isso, algumas áreas receberam um carinho bem mais legal que outras. Um saco a parte das dinamites nas minas, mas muito legal o labirinto de picho no caminho até o porco. Entre altos divertidos e baixos chatérrimos.

Assassin's Creed III Remastered - O puro suco da Ubisoft

Esse aqui talvez traga a melhor defesa para o pobre do Uncharted. Quando joguei essa brincadeira anos atrás no 360 gostava bastante, mas nunca terminei por problemas no CD. Porém essa versão remasterizada tá bizarra. A quantidade absurda de bugs que me obrigaram a recarregar uma parte, ou a passá-la de maneira totalmente bizarra é considerável. A porra do Haytham queria tretar com um NPC e ficou preso numa porta na sua boss fight.

A história do AC3 é legal, e algumas missões são extraordinárias. Como a da prisão, a da festa do chá, etc. Meu único incômodo grave com o jogo é o seu mapa, além dos bugs. O vai e vem é muito chato, e vou me abster de comentar qualquer coisa sobre as partes com o Dezmond porque ainda estamos falando de uma época legal da Ubisoft. 

Watch Dogs - Tem aluno que só presta pra mexer no celular

Época legal essa que acabou. É BIZARRO pensar que hoje em dia as empresas demoram trezentos anos para postar um jogo grande, e lembrar que em 2014 a Ubisoft partiu com três apostas gigantescas (e dois flops tão grandes quanto) e uma porrada de jogos menores, mas muito bons como AC: Rogue e Valiant Hearts. Precisava comentar isso.

Em meio a percepção distorcida já naquela época, sempre tive em mente que Watch Dogs era um bom jogo. Pagaram pelo marketing excessivo e criminoso, além da promessa de desbancar GTA. O que torna tudo isso muito curioso, porque todo o mundo aberto e a "parte GTA" de Watch Dogs é patética. O mundo não tem nada de divertido, a história é rasa, as mensagens são estranhas, e os personagens esquecíveis.

Porém, há um porém. A parte que pensaram para trazer o charme especial é muito divertida. As missões de hacking, e as diversas maneiras que você pode prosseguir apenas projetando sua emboscada indo de câmera em câmera, são muito boas. Uma pena que o jogo não foca nisso, e parece um Velozes e Furiosos que toda hora você tá numa perseguição de carro. Entrei pra jogar um Mr. Robot e encontrei um John McClane com Dom Toretto. Faz nem sentido.  

Valiant Hearts: The Great War - Um sogro, um genro, um cachorro e um idiota

A história é linda, me senti burro nos puzzles. Me senti vesgo nas partes de onde tenho que ir e não gosto das partes de carro. Fora isso, só coisas boas.

Little Nightmares 2 - Pennywise estava certo

Criança não combina com capa de chuva amarela. Com saco de pão na cabeça sim. Apenas vi o primeiro Little Nightmares, e apesar de tudo o que gostei, nunca achei os vilões tão empolgantes. O segundo deu um ênfase nisso, a professora é angustiante. As fases além de bem desenvolvidas apresentam uma surpreendente variedade de formas e mecânicas para se lidar com as ameaças.

É gostoso, é curto. Tirando a sessão do combate com os alunos de porcelana, tive ótimas horas de entretenimento. Só não vou comentar sobre a história porque tudo é extremamente abstrato desde o primeiro jogo e não faço ideia do que está acontecendo. A única certeza é que alguém precisa dar cabo nos produtores de capuzes amarelos. 

Uncharted 4: A Thief's End - As vezes o melhor é o fim mesmo

Depois de quase desistir de jogar videogame no primeiro Uncharted, fui jogar o segundo. Quando eu estava por volta da metade do caminho, a energia acabou e corrompeu o save. O segundo jogo estava consideravelmente melhor que o primeiro, mais variações de cenários, o começo daquelas situações impossíveis de um ser humano comum sobreviver, etc., mas zero vontade de começar de novo. Talvez daqui a alguns anos.

Com isso, desanimei de jogar até o terceiro. Decidi pular pro último mesmo e ver até onde chegaram com a franquia, e é água e vinho. Uncharted 4 é muito bom. O jogo é extremamente bonito, as sessões de exploração são muito melhor planejadas, as fugas scriptadas são empolgantes, os tiroteios são mais espaçados e divertidos, os puzzles são mais desenvolvidos, é bizarro. 

A quantidade de cenários absolutamente estonteantes é ridícula. A história continua tendo a profundidade de uma folha de papel e Nathan Drake continua sendo um protagonista chato pra caralho, mas o jogo em si é uma ótima experiência.

Resident Evil 2 Remake - O terror é o level design

Importante comentar que nunca havia jogado um Resident Evil. O RE6 eu guardo com muito carinho, mas ele é ruim e tem muito pouco de Resident. O remake do 2 trouxe um gameplay muito gostoso e refinado, não na parte da ação, mas em seu design. Um Resident Evil feito do jeito certo beira o ápice da indústria nessa questão do level design. É você indo e voltando dos mesmos lugares por horas e você não enjoa. 

Adendo que teria gostado mais do jogo se eu não fosse horrível jogando, mas parte do que eu acho tão incrível no jogo está atrelada com várias coisinhas que me irritam bastante. É tudo muito travado, os personagens são muito duros, os espaços são muito apertados, o que torna o gameplay em si meio truncado. Também me frustra que as campanhas do Leon e da Claire são praticamente as mesmas. 

Mas, o medo? Esse tá lá. E de um jeito muito estranho. O Mr. X não me deu trabalho na primeira run de Leon, mas nas duas de Claire que fiz esse filho da puta não me deu quatro segundos de sossego. Uma grande obra.

Dead Island 2 - Os quinze anos de espera são os amigos que fazemos no caminho

Eu jogo o que chega na Plus. O primeiro Dead Island nunca me atraiu os olhos, e o clamor pelo segundo nunca me pegou, mas aí chegou na Plus e fui ver qual era. Encontrei um jogo muito divertido e desafiador. Não acho que essa abordagem de gameplay de combate é a minha favorita para um jogo de zumbis, mas o tom nada sério com o qual o jogo se leva na maior parte do tempo ajuda muito.

Lá para os 70% da campanha eu não estava entendendo o que diabos estava acontecendo. O porquê desse jogo ser tão difícil, e eu ter apanhado tanto para praticamente todos os chefes. Quando eu fui experimentar jogar online e aí a mesa vira. Além de ficar 300 vezes mais fácil, você se sente motivado até a buscar as side quests.

Não comentei sobre a história, né? Não tem e é isso.  

Forspoken - Alguém algeme a boca do Algema

Esse aqui apanhou. Acho que nem Call of Cthulhu apanhou tanto da recepção do público quanto esse aqui. Vi muita gente escrachar isso como injogável, muita gente dropar o jogo, etc. Vamos botar panos limpos na mesa. As maiores críticas abordavam a história e a protagonista que não cala a boca. A história é realmente fraca, com um twist ok lá pro final, e a protagonista realmente não cala a boca. Mas há um detalhe que me chamou muita a atenção. A DESGRAÇA DA ALGEMA FALA MAIS E É AINDA MAIS CHATA QUE A PROTAGONISTA.

Tudo faz sentido no final, mas quando comecei o jogo não sabia que ia ter um acessório tagarela e sem graça durante toda a campanha. Junta isso e essa história tão cativante aí e você entende quem desistiu. Porém, eu aprecio. É um jogo visualmente magnífico. E não só nas passagens, mas nos efeitos das magias também. Invocar um turbilhão de água, ou usar o crisol de fogo, no meio de uma batalha, sempre me impressionava.

O gameplay em si é muito gostoso. O parkour arcano é uma mão na roda e o combate é um tanto repetitivo, mas brilha muito nas batalhas contra os chefes. Fora que usar o parkour para fazer o dodge dos golpes é muito empolgante. Falta alma, falta coração, falta até um pouco de level design, mas não faltam boas ideias técnicas e potencial.

Infamous: Second Son - Ghost of Seattle

10 years in the making. Dez anos depois de jogar Infamous num PS4 que não era meu, até porque não tive um PS4, termino-o no meu PS5. Poético. Infamous me agradou muito na minha época de moleque, mas caramba, como não? A história é simples, mas efetiva. Trabalha sobre as mesmas analogias que os X-Men, e pelo visto é um tema recorrente da Sucker Punch lidar com repressão.

O combate cansa um pouco. É muita gente atirando, mas quanto mais habilidades você desbloqueia, mais divertido fica. As variações que o Dhelsin tem em cada elemento que ele controla são muito nítidas, e é maravilhoso jogar com o poder do vídeo. Ótimo jogo.

A Plague Tale: Innocence - A igreja é sempre um problema

A minha filha é muito foda. É sempre um problema quando você joga uma sequência primeiro e o original depois, porque muitas inovações e correções de defeitos ficam clarividentes. Mas, Innocence ainda assim se apresenta forte. Uma história envolvente, a trilha sonora forte, personagens cativantes, e o gameplay, ainda que mais simples que o Requiem, consistente o suficiente.

E só de jogar sessões que nunca tinha jogado com Amicia e Hugo, passar mais tempo com eles, meu tempo com A Plague Tale: Innocence foi muito positivo. Há de ser comentado também que ter a igreja como inimigo é algo que cai muito bem comigo. Estou muito, muito curioso pra ver onde eles vão levar essa franquia. 

Tekken 8 - O ruim vai de Reina

Porrada.

Marvel's Midnight Suns - Que os ventos de Watoomb sejam abençoados

Não sou muito fã de combates por turnos. Quando vi que Midnight Suns seria assim, fiquei muito desanimado. Foi bom ter jogado isso depois de ver o que aconteceu com o jogo dos Vingadores. As vezes, se você não sabe o que fazer com um jogo pra ele não ser genérico, você já perdeu essa batalha. Fique na sua zona de conforto e apresente um jogo genérico mas confortável. Midnight Suns é isso.

A história é um arremedo só pra apresentar os personagens, e os personagens em si não saem do segundo parágrafo da sua lore já conhecida. Mas o jogo começa a te desafiar com a progressão das missões, e de repente mexer nos decks, upar os heróis e criar estratégias para avançar as fases se torna quase tão fácil quanto jogar uma partida de fifinha.

Obviamente foquei o jogo inteiro no Doutor Estranho, e como são maravilhosas as habilidades do Doutor Estranho. As ruas também se lembrarão de como é legal jogar com a Magia e a tal da Irmã Grimm. A protagonista original não é ruim, mas torço para que se um dia tiver uma sequência disso, eles foquem em personagens da Marvel em si, e deixem a dinâmica do gameplay ainda mais aprofundada. A Firaxis tem o meu interesse.

Evil West - O filho perdido de Darkwatch

Em algum domingo perdido muitos anos atrás, fui na feira comprar um Medalha de Honra. Quando eu abri a capa, no CD estava a logo do Battlefield. Coloquei no videogame e mano, que jogo escuro. Eu tinha double jump, poderes de vampiro, e atirava num monte de esqueleto e monstro esquisito. Um jogo maravilhoso. Darkwatch nunca teve uma sequência, até teria mas foi cancelada.

Evil West lançou em 2022 e fez ainda menos barulho que Darkwatch, que com o passar dos anos virou um xodózinho, quase como um cult. Eu entendo que Evil West não faz muita coisa diferente da maioria dos jogos, e também não tem história nenhuma pra contar, mas que jogo divertido. Que aventura desafiadora, mas ainda assim fácil? É o puro suco de um combate frenético e empolgante. Literalmente abri e matei em um dia, porque não consegui parar de jogar. Quase como uma ode a tempos mais simples. Onde você comprava um jogo e recebia outro. Bons tempos.

Metro: Exodus - Estou cansado, Miller

Dentre a maratona de jogos difíceis, acho que Metro foi o mais duro. E eu até o zerei bem rápido, mas é uma experiência implacável. O estresse que você fica durante a campanha, preocupado de sempre ter um inimigo adiante, em certas partes angustiante, em outras aterrorizante. Metro traz uma mensagem muito positiva e uma história muito legal, que são fortalecidas pelo seu mundo tão cru e ao mesmo tempo tão destruído.

Cada passo era um save novo. E cada passo era um passo. Tudo o que você faz no jogo pesa, você sente esse peso. Não só o peso dos personagens que estão junto com você no trem, e dependem de você porque o Artyom é a encarnação do apogeu militar russo. Uma das melhores definições de exército de um homem só. Os ambientes mais abertos são lindos, os mais fechados são agoniantes. Maldito seja o desgraçado que projetou aquelas partes das aranhas e bendita seja a 4A Games por Metro.

The Wolf Among Us - Quem tem medo do lobo mau?

Você já imaginou o Lobo Mau e a Branca de Neve fazendo uma investigação policial? Pelo visto, muita gente sim. Wolf Among Us é uma propriedade intelectual dos quadrinhos da Vertigo, mas dane-se. A Telltale fez um Walking Dead melhor que o próprio Kirkman, e Wolf Among Us é tão bom que tenho receio de conhecer o material original e não gostar tanto assim. 

Jogo da Telltale então nem se comenta gameplay, só história, e é muito interessante apreciar que a dinâmica de dupla protagonista se mantém, mas os focos narrativos são totalmente diferentes. Aqui há um mistério, e a sua relação com os personagens vai se moldando conforme você, junto com eles, vai desenrolando esse emaranhado de fios perdidos, e as respostas sempre são satisfatórias. Além de quê, o Lobo Mau é muito zika.

Final Fantasy VII Remake - De qualquer jeito seu sorriso vai ser meu raio de Sol

A gente passa a entender melhor a vida quando encontra o verdadeiro amor. Cada escolha, uma renúncia, isso é a vida... Estou lutando pra me recompor. De qualquer jeito seu sorriso seu vai ser meu raio de Sol. De qualquer jeito seu sorriso seu vai ser meu raio de Sol.

Sim, eu estou tão cansado. Mas não pra dizer que eu não acredito mais em você. Eu não preciso de muito dinheiro, graças a deus. E não me importa... A minha honey! Baby... Baby... Baby...  

Disco Elysium - Camaradas, a revolução ainda vive

Como se ter esperança? O seu mundo não é muito grande, visto que você vive numa cidade de merda e não pode sair de lá. A economia parece destruída porque todos que vivem contigo estão numa prática miséria. As pessoas parecem um tanto cadavéricas, exauridas, sem vigor. Cada ser vivo que você encontra é apenas um fragmento dessa engrenagem enferrujada que é a cidade onde você está trabalhando num caso.

Trabalhando, né? Aposto que você não lembrava disso, mas você é um policial no meio disso tudo. Aconteceu um assassinato e você tem que fazer coisas de policial. Isso inclui ser chamado de porco pela maioria dos habitantes daquela zona pobre do incidente e sorrir, porque você não consegue discordar porque já nem parece um bêbado, passou há anos desse estágio, já é a própria cachaça.

Disco Elysium é maravilhoso, porque você é esse arremedo de homem que não lembra nem mesmo seu nome. Um RPG maravilhoso, onde terá companheiros maravilhosos como o tenente Kim e suas próprias características humanas, te aconselhando a falar x ou y. Que construção de mundo encantadora, corajosa. Um jogo que não tem receio de abordar seus temas, mesmo aquele implícitos. Que levanta a sua bandeira, mas deixa você construir o protagonista que quiser, concordando ou discordando da bandeira, e questionando independente de quem você escolheu ser. Se você discorda da bandeira, o errado é você, mas aí é um trabalho seu e da sua consciência.

Um dos jogos mais especiais que tive o prazer de conhecer.

Resident Evil 4 Remake - BINGO!

Antes a pouco comentei que possuía desagrados com o gameplay do RE2. Aqui, esquece. Pode até não ter a mesma complexidade de level design por ser um jogo mais linear, mas o RE4 Remake é simplesmente saboroso demais. Ele é fluído, desafiador, dinâmico, um jogo que em momento algum te cansa ou te traz aquela sensação de repetitividade.

Nunca joguei o original porque nunca quis. Dane-se. E compreendo que muitíssimo do charme desse jogo não é criado, é recriado (ba dum tss), mas é simplesmente maravilhoso. Briga forte pra ser o melhor remake de todos os tempos. Não só por adaptar absurdamente o gameplay pra 2023, mas por melhorar muitas coisas na história e na montagem de várias sessões. O Separate Ways é um esculacho. 

Um baita acerto da Capcom, e seu melhor Resident Evil desde o 4 original

God of War - Sessão de terapia

Ótimo jogo, mas roubou o GOTY do Red Dead. Não vou comentar sobre.

Ghost of Tsushima - Honra é o caralho

Assistir o trailer de anúncio de Ghost of Tsushima foi uma experiência surreal. Por algum motivo não quis ver como estava o jogo afundo em seu lançamento, e sou muito feliz por isso. Experimentar esse jogo pela primeira vez, sem saber de sua história, apenas tendo visto maravilhosas screenshots por aí foi incrível.

Infamous: Second Son já é um grande jogo, mas a impressão que Tsushima me dá é que a Sucker Punch teve muito mais dinheiro e tempo pra brincar do que quisesse e aprontou uma obra de arte. A direção de arte de Ghost of Tsushima é RIDÍCULA! Os ambientes são uma sucessão infindável de vislumbres um mais lindo do que o outro. E o combate... 

Na minha concepção, Ghost of Tsushima beira o impecável. Ele acerta em praticamente tudo o que tenta. Seu mundo é meio vazio, problema recorrente, mas as vezes cavalgando por Tsushima e suas paisagens absurdas, você meio que esquece de que é tudo muito quieto. E a história é um cupcake. Não se apega a milhões de conceitos, twists, ou propostas mirabolantes. Ela possui um fio condutor forte, um dilema bem construído para o ótimo protagonista, e bons personagens para compor as cenas. Ponto final. 

The Last of Us Part II - Além da desolação

Eu não gosto do Neil Druckmann. Eu acho que ele vai representar pra mim o que a J.K. Rowling representa pra todo mundo que ainda quer consumir o que ela vai produzir do universo de Harry Potter. Porque eu não consigo não ser profundamente impactado por The Last of Us. O Parte 2 dividiu o mundo aparentemente. Quando lançou, tive que zerar pelo YouTube, e por uns dois bons meses eu fiquei preso nessa história, pensando nos acontecimentos, refletindo sobre tudo. E a real é que assim... Foda-se quem joga hate nesse jogo.

Do ponto de vista técnico, esse jogo é uma aberração. A qualidade da inteligência artificial dos inimigos é bizarra de impressionante, os ambientes são minuciosamente detalhados, as animações são extremamente realistas, a atenção a cada pormenor do gameplay é impressionante. A trilha sonora te machuca. É muito, muito forte.

E a história... Puta que pariu. Ela não é complexa do ponto de vista objetivo, das coisas que diretamente acontecem no enredo. Mas, o peso que cada personagem carrega, a relação que você cria com eles é surreal. Você sente ódio, amargura, rancor, pesar. Esse jogo te destrói, e em vários momentos. A Parte 2 é nitidamente melhor que o primeiro jogo, que já é um espetáculo por si só. A adaptação da série é muito 1x1, mas temo pela segunda temporada, porque minha nossa.

Videogame é sim pra se entreter, divertir, etc. Mas, quando ele é feito pra sentir, mesmo que seja dor, ele pode se tornar algo muito especial. E é bizarro que quando fui jogar, quatro anos depois, já sabendo de toda a história, todas as cenas, todas as sessões, me doeu tudo de novo. E a verdade é que eu faria tudo de novo.

Alan Wake 2 - Não é um loop, IT'S A MOTHERFUCKING SAM LAKE, BITCH!

Pra que quebrar a quarta parede quando você tem a habilidade de construir 32 paredes dentro da sua história? Um festival de metalinguagem que você, de verdade, não sabe quando começou de fato, em que ponto que está, tem uma ideia remota de como acaba, mas por diversos momentos olha para a magistral infinitude do céu se perguntando: "Mas que caralhos?"

Passos pra trás. Alan Wake 2 é um milagre. Esse jogo tinha sido cancelado, arquivado, e olhando para trás, que maravilha que tudo isso aconteceu. Porque a ideia do que o jogo seria foi maturada por dez anos, e acabou se tornando uma obra de arte. Uma das explorações mais bonitas do que a mídia videogame pode oferecer para o jogador. E é um outro milagre que eu tenha gostado desse jogo, porque não gostei tanto do primeiro. As ideias estavam lá, mas a execução em muitos momentos não. Quantum Break era exclusivo de XONE, nem joguei, nem vi, nem nada. Control, então? Dropei. Não consegui me conectar com o jogo, e detestei aquele mapa confuso. No hits, just misses. Mas eu também não gostei de Alan Wake 2.

Falar que gostei de Alan Wake 2 é como falar que Romeu gostou de Julieta. É além. Foi uma das melhores experiências que tive na vida. Um jogo extremamente lindo que quase me deixa sem palavras pra comentar mesmo, mas em seguida vem um turbilhão de ideias, como se fosse a Presença Obscura aparecendo na cena com um jumpscare.

Tudo nesse jogo funciona. Até os jumpscares que a primeira vista parecem ser mais daquelas alternativas pobres pra reter o jogador, ganham um significado muito forte. A atmosfera desse jogo é inebriante. Você caminhar no escuro de Cauldron Lake, na névoa de Watery, nas ruas sombrias e chuvosas de Bright Falls ou do Lugar Obscuro é uma experiência por si só. Podia ser só um simulador de caminhada com essa atmosfera, já seria melhor que todos os jogos lançados em 2024. 

O terror é um gênero muito especial. E pra você fazer um terror bem feito você tem que ter carinho. Se você não se importa com o que está fazendo, não tenho o porquê de me importar com o que estou jogando. E só posso sentir medo de que algo aconteça no jogo se me importar com o que estou jogando? E Sam Lake? Ele se importa. Se importa com o Alan Wake, em muitas esferas, o Wake é o Sam Lake. Todo o seu processo de escrita e seus demônios internos personificando o seu maior adversário: a si mesmo.

Todos os personagens importam. Todos os personagens são bem escritos. Muitos são memoráveis como Warlin Door, Alex Casey e os Old Gods of Asgard. As boss fights são bem pensadas, e Saga, criada para dividir o protagonismo com Wake não fica pra trás. O jogo é visualmente absurdo, tecnicamente impressionante. O jeito que imediatamente os cenários mudam quando se usa o aparelho do Wake, ou quando visitamos a sua Sala de Escritor e o Lugar Mental da Saga é foda.

Artisticamente, impressionante. As DLCs são porradas incríveis por si só (menos a da garçonete). A trilha sonora é forte, e eu posso discorrer por 30 anos o quanto sou apaixonado por essa obra, mas eu vou me conter porque Control 2 tá vindo aí, e a minha empolgação é do tamanho do meu receio.

Se esse foi o final da história de Alan Wake, posso afirmar que me deixa triste, mas minha vida é um pouco mais feliz por ter jogado esse jogo.





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